Quer passar 3 Dias em Marrakech?

Este guia de viagem para a cidade mais visitada de Marrocos vai ajudá-lo a conhecer e melhor explorar este destino exótico.

3 DIAS MARRAKECH

3 DIAS MARRAKECH

Marrakech é a capital do turismo em Marrocos. É uma cidade maravilhosa e que apesar de ter muitos turistas, nunca perde a sua essência e nunca deixa de ser extremamente exótica.

Nesta página disponibilizamos para si, um guia de viagem para Marrakech para que consiga organizar melhor a sua estadia.

Como Chegar até Marrakech

ZAOUIA DE SIDI BEL ABBÈS

ZAOUIA DE SIDI BEL ABBÈS

1- De Avião

Existem várias companhias a voar para Marrakech, por exemplo, a TAP, que tem uma ligação directa desde Lisboa. A Ryanair usa opera diversas rotas, nomeadamente desde Espanha, podendo Sevilha ser um óptimo ponto de partida para os viajantes portugueses que vivam no sul do país.

O aeroporto internacional fica relativamente próximo do centro da cidade, a cerca de 5 km, existindo várias formas de ultrapassar esta distância.

2- De autocarro

Existem ligações frequentes de autocarro desde o aeroporto de Marrakech até ao centro da cidade. O número 19 segue uma rota bem conveniente, passando junto dos principais hotéis da cidade e terminando a carreira bem próximo da famosa Praça Jamaa el Fna. Se quiser sair em qualquer local do percurso, basta pedir ao condutor para parar. Não existem paragens fixas.

O bilhete custa 30 Dirham (cerca de 3 Euros) e entre as 6:15 e as 21:30 há partidas de trinta em trinta minutos. Depois desse hora, poderá ainda procurar a paragem do autocarro 11 (ver em baixo)  ou de táxi. Em último caso poderá arriscar a caminhada até ao centro. O tempo previsto de viagem é de 30 minutos, mas geralmente demora menos a chegar ao destino.

Encontrar a paragem do #19 é simples: saindo pelas portas das chegadas do terminal 2, vira-se à esquerda e passa-se pelos táxis estacionados até chegar ao ponto de partida do autocarro.

Se planeia regressar no espaço de duas semanas pode comprar um bilhete de ida e volta, que lhe custará 50 Dirham.

Para viajantes mais aventureiros, existe uma outra hipótese. O autocarro 11. Este pára no exterior do complexo do aeroporto e encontrar o sítio exacto onde o apanhar pode ser um desafio. No aeroporto apenas pode sorte alguém saberá explicar .

Faça o seguinte: atravesse o parque de estacionamento, obliquando para a direita, seguindo a saída dos automóveis. Vire à esquerda e caminhe 200 metros, onde existe uma rotunda. Vire à esquerda, e passado uns 50 metros atravesse na passadeira. Continue a andar até encontrar um edifício com pilares, a cerca de 75 metros. O autocarro parará por aqui. Se falar francês ou árabe. As vantagens desta opção: é mais pitoresco e divertido; o bilhete custa 4 Dirham; o horário mais alargado, entre as 5:40 e as 21:40 (um pouco mais tarde neste local).

Atenção: não há espaço no #11 para grandes bagagens e não deverá pagar com notas de valor elevado.

3- De Táxi

Lidar com os taxistas em Marrakech e especialmente no aeroporto poderá ser um desafio à sua paciência. O preço fixo pelo governo é de 70 Dh de dia e 110 dirhams à noite. Não satisfeitos com isso, muitos taxistas tentam ainda cobrar mais aos passageiro. Nunca pague mais de 70 Dirham pela ligação de táxi entre o aeroporto e o centro de Marrakech. O preço fixo está num painel no aeroporto e também nos autocolantes no vidro dos táxis.

Se precisar de apanhar um táxi e quiser poupar algum dinheiro, caminhe até à rotunda e apanhe lá uma viatura por um terço do valor, ou seja, 22 Dirham.

4- A Pé

Ao contrário do que acontece com a maioria dos aeroportos por esse mundo fora (o de Lisboa é outra boa excepção), é possível caminhar directamente desde o terminal até ao centro da cidade.

Existe um passeio pedonal que liga o aeroporto à cidade e é um percurso que se faz bem e de forma segura, especialmente de dia. São cerca de 5 km, que podem ser palmilhados com os olhos postos no minarete da Koutobia, um excelente farol para o caminhante.

5- De Comboio

A estação ferroviária de Marrakech – bem bonita, aliás – fica no bairro Guéliz, no topo da avenida Hassan II. É um gare moderna, preparada para satisfazer todas as necessidades do viajante. Tem um posto de turismo, caixas multibanco, pequenos supermercados e restaurantes e uma loja de telecomunicações onde se podem comprar cartões SIM para o telemóvel.

Há ligações ferroviárias desde Casablanca, inclusive do seu aeroporto internacional, desde Tânger, Rabat ou Fez.

Pode-se caminhar até ao centro. São 1,70 km desde a estação até às muralhas da medina. Os autocarros #3 e #8 param aqui.

6- De Autocarro / Ônibus

Basicamente todo o país se encontra ligado a Marrakech por uma rede de ligações de autocarro envolvendo diversas companhias.

As mais eficientes são a CTM e a Supratours. A Supratours tem a sua estação por detrás da gare ferroviária e a loja e escritório está localizada na própria estação de comboios. A CTM usa o terminal rodoviário principal, junto às paredes ocidentais da medina.

Quando Ir a Marrakech

VENDEDOR DE ÁGUA

VENDEDOR DE ÁGUA

As melhores alturas do ano para visitar Marrakech são os períodos que antecedem o Verão e o que se lhe segue. Ou seja, Maio ou Setembro e Outubro. No pico do Verão faz demasiado calor e caminhar na rua durante as horas necessárias para explorar a cidade pode-se tornar desagradável. E o Inverno, ao contrário do que muitas pessoas pensam, pode ser surpreendentemente frio.

Se visitar em meados de Julho poderá apreciar o Festival de Artes Populares de Marrakech, que enche as ruas da medina com artistas de todos os géneros, concentrando-se na praça Jamaa el Fnaa e no Palácio Badi. A não perder será a noite da Fantasia, um tipo de espectáculo muito popular em Marrocos que reconstitui batalhas com figurantes e uma carga de cavalaria marroquina.

Onde Ficar alojado em Marrakech

RIAD DAR ZAMAN

RIAD DAR ZAMAN

Em Marrakech mantém-se a tendência das principais marroquinas: os grandes hotéis, pertencentes a cadeias internacionais famosas, estão localizados fora do centro histórico. É uma situação normal, nunca seria possível, por uma questão de espaço, implementar este tipo de negócio na medina. Por outro lado, é dentro de muros que se encontram as casas tradicionais, com um ambiente local, algumas delas com um nível de conforto elevadíssimo.

Dentro do segmento económico, o Riad Konouz é uma boa opção. Por cerca de 30 Euros tem ali o hóspede assegurado um quarto duplo com casa de banho privativa, bom acesso à Internet e pequeno-almoço. A decoração é tipicamente marroquina, muito colorida e alegre. O próprio edifício segue essa filosofia, pintado de amarelo muito vivo. Vive-se ali um ambiente familiar, e os proprietários estão lá para assistir os hóspedes e dar os conselhos pedidos.

O Riad Alnadine, localizando no coração da medina, é um alojamento também em riad, ou seja, numa casa tradicional, mas com um pouco mais de qualidade, uma decoração mais requintada, e de resto tudo o que esperaria, com pequeno-almoço incluído nos preços e acesso Wi-Fi.

Por outro lado, o viajante de orçamento mesmo apertado, que procure uma solução do tipo de hostel, encontrará no Majorelle Hostel um local onde ficar com uma cama em dormitório a custar 5 Euros. O hostel encontra-se estabelecido num riad, muito próximo da praça Jamaa el Fna e é sem dúvida um dos melhores da cidade.

Há ainda o Dar Zaman do meu bom amigo Peter, inglês que vive em Marrakech há muitos e anos, e que fala perfeitamente português. Somos amigos e já fiquei muitas vezes no riad dele. Aconselho!

Para mais detalhes sobre as melhores zonas onde ficar em Marrakech, pode ler o artigo Hotéis em Marrakech.

Roteiro de 3 dias em Marraquexe

Dia 1 – Roteiro Marrakech

MESQUITA DA KOUTOUBIA

MESQUITA DA KOUTOUBIA

A primeira coisa a fazer pela manhã será visitar os Jardim Majorelle. É um lugar que se dá bem com a frescura matinal e, por outro lado, aprecia-se melhor quando existem menos visitantes. Abre às 8:00 e se conseguir levantar-se cedo ficará a ganhar. Tome o pequeno-almoço e parta à descoberta de Marrakech!

Jardins Majorelle

O Jardins Majorelle fica a cerca de 500 metros da medina, por detrás da estação principal de autocarros. Poderia tomar um táxi, mas não é mesmo necessário. É um passeio que se faz bem, especialmente às primeiras horas do dia.

Chegado ao local, poderá decidir se pretende visitar apenas o museu ou se quer também espreitar o Museu Berbere. O bilhete simples custa 70 Dirham, mas para aceder à exposição museológica terá que pagar mais 30 Dirham.

O Jardim foi criado por Jacques Majorelle (1886-1962), um artista francês que ali viveu, na casa cubista desenhada pelo arquitecto Paul Sinoir nos anos 30 do século passado. Em 1980 Yves Saint-Laurent (quando faleceu, Yves pediu que as suas cinzas fossem espalhadas no seu Jardim Majorelle) e Pierre Bergé adquiriram a propriedade aos herdeiros, restauraram-na e abriram-na ao público.

Trata-se de um espaço encantador, com uma colecção admirável de cactos, plantas exóticas e árvores, magistralmente agrupados, criando um conjunto pleno de harmonia. Não lhe faltam as incontornáveis palmeiras e há um lago com nenúfares e uma pequena floresta de bambu. Uma fonte e um canal de água preenchem o jardim com o som do líquido que corre, sublinhando a serenidade do local.

Poderá depois passar ao museu, instalado no rés-do-chão da casa, incorporando mais de seiscentos artefactos relacionados com a cultura berbere.

Dos Jardins Majorelle vamos seguir para a mesquita Koutobia. A pé ainda são uns 2 km. É consigo se arrisca pôr-se ao caminho ou se prefere apanhar um “petit taxi”.

Ciber Park

Se optar por seguir pelos seus próprios meios pode dar um salto ao Cyber Park, que fica a meio do trajecto. Apesar do seu nome modernista, as origens deste parque remontam ao século XVIII, quando foi construído pelo príncipe Moulay Abdessalam, um notável poeta, escritor, académico e diplomata.

Em 1920, sob a administração francesa, o parque foi ampliado, mas nas décadas que se seguiram foi negligenciado. Em 2005 foi requalificado e equipado com quiosques que oferecem acesso à Internet e junto à entrada existe um Museu de Telecomunicações, pequeno mas gratuito, que cobre a história das telecomunicações em Marrocos desde que o primeiro telefone foi instalado em Tânger em 1883.

Mesquita Koutobia

A Koutobia é a maior mesquita de Marrakech, tendo sido inicialmente construída em meados do século XII no local onde já antes existia um templo do século anterior, ainda hoje é a estrutura mais alta da cidade, com o seu minarete a elevar-se até aos 77 metros. Este é de resto o detalhe mais relevante da mesquita, tendo influenciado inúmeros outros minaretes através do país, estabelecendo um padrão baseado na colocação de mosaicos no segmento superior, na existência de ameias pontiagudas no topo, nos padrões decorativos irregulares.

Infelizmente em Marrocos apenas muçulmanos são admitidos no interior das mesquitas, pelo que se não for o nosso caso teremos que apreciar a Koutobia do seu exterior.

Se gostou, tome nota mental: dar uma vista de olhos depois do sol posto, quando a mesquita é iluminada de forma magnífica.

Hotel La Mamounia

Mesmo por detrás da Koutobia há um jardim público, o Parc Lalla Hasna,  de onde se tem o melhor ângulo para fotografar o elegante minarete e a mesquita.

Logo a seguir, do outro lado da Avenue Hommane Al Fatouaki, há um longo muro pintado num tom alaranjado que protege o Hotel La Mamounia. A sua diária, a rondar os 400 Euros, não é para todos, mas é possível vir até aqui espreitar o hotel histórico com mais pergaminhos de Marrakech.

Abriu em 1923 e desde então albergou personalidades famosas, como Nelson Mandela, o casal Clinton, os Rolling Stones, Charlie Chaplin, George Orwell, Omar Sharif, Charlton Heston, Sean Connery, Catherine Deneuve, Sharon Stone, Sylvester Stallone, Will Smith, Sarah Jessica Parker, Tom Cruise e Nicole Kidman e o casal Reagan.

Em 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, ficaram aqui alojados os principais dirigentes mundiais da altura: o presidente dos Estados Unidos da América, Franklin Roosevelt, o general De Gaulle, cuja altura extraordinária obrigou a gerência do hotel a encomendar uma cama especial e o Primeiro-Ministro da Grã-Bretanha, Winston Churchill.

De toda estas individualidade, a que estabeleceu laços mais fortes com Marrakech e com o La Mamounia foi o dirigente britânico, que veio a primeira vez em 1935 e até ao seu falecimento, em 1965, regressou vezes sem conta, pintando aqui algumas das suas telas. Especial destaque para uma pintura retratando a medina e a mesquita Koutobia, que ofereceu ao seu amigo Roosevelt. Este terá sido provavelmente o único quadro criado por Churchill durante a guerra e foi recentemente avaliado em 3 milhões de Dólares.

Se gosta de visitar cemitérios, mesmo por detrás do hotel, agregado a um hospital, encontra o Cimetiere Imam Souhaili. Não tem nada de extraordinário mas dá para ficar com uma ideia do que é um cemitério muçulmano e como se distingue dos equivalentes espaços cristãos.

Praça Jamaa el Fna

Está na altura de travar conhecimento com a famosa praça Jamaa el Fna, o centro da medina e de Marrakech. A praça é um mundo, transbordando energia e animação quase vinte e quatro horas por dia. Era ali que em meados do século XI, quando Marrakech foi fundada, se executavam os condenados à morte.

Actualmente tudo se passa aqui. Pela manhã começam a chegar os artistas de rua que trazem a vida à praça: há encantadores de serpentes, contadores de histórias, domesticadores de macacos. Mulheres fazem tatuagens de henna, organizam-se combates de boxe improvisados, há dançarinos transvestidos e malabaristas. Músicos extraem notas de instrumentos exóticos e homens com trajes tradicionais vendem simbolicamente água, mas o que de facto comercializam são fotografias de turistas por eles abraçados.

A praça está rodeada de restaurantes e cafés e lojas diversas que têm nos turistas o seu público alvo. Poderá escolher um estabelecimento aqui em redor para almoçar, descontraidamente, enquanto observa o movimento incessante de gente. Alguns têm terraços com excelentes vistas para a praça.

Depois de se deliciar com a comida de Marrocos, quem sabe uma tagine de galinha ou de vegetais, um cuscuz ou uma pastilla, peça um chá de menta, e quando tiver terminado saia para a praça e demore todo o tempo do mundo a absorver o ambiente.

Não há como não ficar fascinado com a infinidade de espectáculos que decorrem em simultâneo, mas não deve baixar as defesas, pois a actividade de carteiristas aqui e, já agora, nas ruas da medina que rodeiam a praça, é bastante intensa. Por outro lado a presença de elementos da polícia de turismo costuma ser elevada e se surgirem problemas terá a quem recorrer.

Poderá talvez recolher-se por um pouco ao seu hotel, retemperar forças, tomar um duche e preparar-se para o final de tarde na Praça Jamaa el Fnaa. A partir das seis horas o espaço começa a encher-se e entre as nove e as dez atinge um pico de gente. São as pessoas que vêm jantar.

Quando o sol se põe a luz na praça torna-se fantástica. Por essa hora já estão montados os restaurantes que diariamente se erguem no que antes era um pavimento nu. Há fileiras de tendas improvisadas, com vastas áreas de mesas preparadas para os clientes que vêm jantar.

O comércio da noite agrupa-se tematicamente. Existe uma fileira de pavilhões que vendem uma combinação únicas de produtos: chá de ginseng, com uma combinação secreta de especiarias que o torna uma poção única, e pedaços de um bolo castanho muito escuro, feito de sésamo e amêndoas.

Quanto a refeições completas, existem autênticos restaurantes móveis, também, concentrados num determinado sector, e só terá que seguir os seus instintos e escolher um da sua preferência.

Se depois do jantar lhe apetecer poderá tomar um copo de sumo de laranja espremido à sua frente. Existem dezenas de pavilhões vendendo estes sumos.

Ao caminhar para o seu alojamento poderá ter a certeza de que voltará à Praça Jamaa el Fna, uma e outra vez, durante os dias que passar nesta cidade.

Dia 2 – Roteiro Marrakech

PALÁCIO BAHIA

PALÁCIO BAHIA

Palácio Badii

Vamos começar o dia na parte sul da medina, procurando o Palácio Badii. Este, abre às 8:45, sendo necessário comprar um bilhete que custa 10 Dirham.

A sua construção iniciou-se em 1578 e terminou em 1593. Ora 1578 foi o ano em que Portugal perder a sua independência, depois do rei D. Sebastião ter desaparecido na batalha de Alcácer-Quibir. Sucede que o Palácio Badii foi construído com os chorudos dinheiros obtidos pelos mouros com resgates de nobres portugueses feitos prisioneiros. Contudo o palácio teve uma relativamente vida curta, pois a dinastia Saadi, que o construiu, entrou em declínio e o sultão Ismail Ibn Sharif, que conquistou a cidade em 1677, não se interessou por Badii, retirando-lhe todas as riquezas e materiais de construção que utilizou noutros lugares, especialmente em Meknes, que fundou por esta altura.

Os estudos dizem que o palácio original tinha 360 quartos, tendo sido construído com os melhores materiais existentes na altura, inclusive ouro trazido do Sudão,  mármore adquirido a mercadores italianos pelo seu peso em açúcar e outros materiais nobres, como marfim, madeira de cedro e pedras preciosas.

O palácio nunca recuperou do saque de 1677, e chegou até aos dias de hoje como uma ruína bem estimada. Pode ser bastante atmosférico, especialmente pela manhã, quando há menos visitantes.

Destaque para os calabouços, que se podem ver, chegando-se às quatro celas através de um túnel sombrio, e também para o jardim rebaixado, onde se vêem os restos dos apartamentos que eram atribuídos aos altos dignitários estrangeiros que visitavam o governante, com belo chão feito de mosaicos.

As cegonhas, animais considerados sagrados, estão bastante presentes no Palácio Badii, podendo-se observar alguns ninhos.

Palácio Bahia

Mesmo junto ao Palácio Badii vamos encontrar o Bahia, construído no século XIX e em muito melhor estado de conservação. Está aberto entre as 8 e as 17 horas e o bilhete custa 10 Dirham, cerca de 1 Euro.

A sua construção esteve envolvida em grandes ambições, já que o seu proprietário, o Grão-vizir Si Moussa, pretendia que o palácio, cujo nome significa “brilho”, fosse o mais opulento do seu tempo.

Em 1908 o palácio já tinha mudado de mãos duas vezes, primeiro passando pelo Vizir Abu Bou Ahmed, um antigo escravo negro que subiu na hierarquia, substituindo o proprietário inicial nas suas funções, e depois para Pasha Glaoui, que recebia aqui os seus convidados franceses.  O palácio não deve ter desagradado de todo aos europeus, já que em 1911, quando Marrocos passou a ser um Protectorado Francês, instalaram ali o seu representante.

Note que apenas uma pequena fracção dos cento e cinquenta quartos do  palácio e dos seus oito mil metros quadrados de jardins estão abertos ao público. Infelizmente toda as salas se encontram vazias.

A visita centra-se no pequeno e no grande riade. Inicia-se num pátio com arcadas que conduz ao riade menor, fruto das extensões feitas por Abu Bou Ahmed. Atente-se aqui nos magníficos trabalhos em estuque e na madeira de cedro. No Salão do Conselho o tecto está decorado com frescos. A seguir passa-se para um pátio e entra-se no grande riade, igualmente ornamentado nos tectos e paredes. Termina-se a visita passando pelo apartamento da esposa de Abu Bou Ahmed, Lalla Zinab, acrescentado ao complexo em 1898.

Cemitério Judeu

Pode visitar seguidamente – de forma opcional – o cemitério judeu, mas deverá estudar bem os mapas pois não é fácil de encontrar o recinto, localizado a sul do Palácio Bahia. Será uma introdução ao Mellah (o bairro judeu) de Marrakech.

A visita ao cemitério é teoricamente  gratuita, mas é esperada a oferta de uma gratificação ao guardião. 10 Dirham serão mais do que suficientes. O cemitério é um local tranquilo, afastado dos trilhos seguidos pelos turistas que visitam Marrakech e poderá até estar encerrado. Depende da vida dos dois irmãos que asseguram a manutenção do recinto. Se for Sábado não será mesmo possível visitar.

Especialmente se falar francês é provável que lhe ofereçam informação preciosa sobre o cemitério. Sabem muitas histórias e são bastante amigáveis. Não esqueça que os homens deverão visitar um cemitério judeu com a cabeça coberta. Se não tiver nada que faça o efeito o guardião certamente arranjará um kippah, a cobertura de cabeça tradicional dos judeus.

O cemitério de Miara começou a ser usado no século XVI, quando viviam cerca de 30 mil judeus no Mellah, e apesar de ter dimensões consideráveis, sendo o maior cemitério judeu de Marrocos, as constantes necessidades fizeram com que se criassem três camadas sobrepostas de campas.

Mellah

O Mellah, chamado de Hay Hessalam, já tem poucos residentes efectivamente judeus. Andam pelos três mil. Uma décima parte do número alcançado há seiscentos anos atrás. Quase todos partiram para Israel depois da criação do Estado hebraico, em 1948.

É uma das áreas mais pobres de Marrakech e raramente visitada pelos turistas e o melhor é deambular livremente pelas suas ruas, onde se pode contactar com uma Marrakech mais genuína, apesar da requalificação feita há pouco tempo ter estragado um pouco o ambiente característico do bairro.

Os Mellah fora originalmente criados para proteger a população judia, mas com o tempo tornaram-se autênticos ghettos, locais com mais pessoas do que deveriam albergar, encerrados à noite e lugar de habitação obrigatória para todos os judeus.

Recomenda-se uma visita ao mercado coberto de Mellah, talvez o melhor da cidade, onde se podem encontrar todos os produtos frescos necessários para confecionar uma refeição, desde os vegetais e frutas até à carne e ao peixe.

Existem algumas sinagogas dispersas pelo bairro, como a Lazama, a El Fasiines, a Rabbi Pinhas ou a Bitoun. Contudo, de todas, a Lazama é principal e a única que se encontra aberta ao público de forma constante. É um pouco difícil de encontrar, localizada numa rua sem qualquer sinalética. A sinagoga original foi construída em 1492, mas a que vemos ali actualmente é do início do século XX.

Museu Tiskiwin

Está na hora de regressar ao centro da medina e para o fazer poderá tomar a rua Riad Zitoun el Jdid, paralela, para leste, à rua Riad Zitoum Lakdim, que o levaria directamente à praça Jamaa El Fnaa.

Vire na segunda viela à direita, a Rue de la Bahia, e do lado direito encontrará o Museu Tiskwin, um lugar fascinante, mágico, que nos leva através de uma viagem no tempo. aqui encontramos exposta a colecção de Bert Flint, um antropólogo holandês que se estabeleceu em Marrakech em meados do século XX.

O museu está instalado num bonito riade, que merece também a atenção do visitante. A exposição pode parecer antiquada, mas esse toque oferece-lhe um charme muito próprio. É um local onde a imaginação pode e deve fluir, à medida que descobrimos as sucessivas salas, que são dez. Cada uma delas é dedicada a uma etapa de uma ampla rota de caravanas, que transporta o visitante por terras não só de Marrocos mas também da Argélia, da Mauritânia, do Niger, do Senegal e do Mali.

Apesar do conceito romântico, bem imaginado, há um facto fabuloso: cerca de 90% das peças aqui expostas foram na realidade adquiridas pelo antropólogo nas ruas de Marrakech.

Este museu encontra-se aberto todos os dias e o bilhete custa 20 Dirham.

Museu Dar Si Said

Se estiver com disposição para visitar outro museu, ao sair do de Tiskwin vire à direita e tome a primeira rua à esquerda, onde encontrará o Museu de Artesanato Tradicional de Marrocos, também conhecido como Dar Si Said.

Este museu, que abre todos os dias e cujo bilhete custa 20 Dirham, está instalado num sumptuoso palácio onde viveu Si Said,  nada mais nada menos do que o irmão do Grão-Vizir  Abu Bou Ahmed, aquele que terminou a construção do Palácio Bahia.

Trata-se do primeiro museu estabelecido em Marrakech e é dedicado às artes tradicionais e ofícios do país.

Cafe de France

Poderá agora dirigir-se à Praça Jamaa El Fnaa para rever o universo fantástico que ali se encontra e para relaxar um pouco, descansando as pernas enquanto bebe qualquer coisa num café histórico.

Localizado próximo do canto sudeste da praça, o Cafe du France é um histórico. Não será tradicional, mas é um dos cafés mais antigos de Marrakech.

Como o seu nome indica é um estabelecimento inspirado no conceito do café francês, procurado há muitas décadas pelos europeus residentes e visitantes. É espaçoso, ao contrário do café tipicamente marroquino, e da sua esplanada observa-se calmamente o bulício da praça. Já o seu terraço superior é um excelente local para ver o pôr-do-sol, mas será difícil encontrar uma mesa disponível nessa altura.

Trata-se de um pontos de encontro de referência em Marrakech, pois é conhecido de toda gente. A sua clientela é um curioso misto de locais e estrangeiros.

Medina

É certo que, seguindo este roteiro para três dias em Marrakech, já terá palmilhado vastas áreas da medina, mas em trânsito para lugares específicos. Agora, se ainda existir energia, poderá vaguear livremente pelas suas ruas e vielas, começando pela rua Derb Dabachi, que sai da praça e que poderá encontrar se virar à direita deixando o Cafe de France nas suas costas.

É uma rua pitoresca, sempre preenchida de gente, com lojas fascinantes e onde se bebem uns batidos de leite deliciosos. Poderá segui-la, é longa. Perca-se nos detalhes, ande até onde se sentir confortável mas tente estar ainda na rua ao fim da tarde, quando as ruas se enchem ainda mais de gente.

Aprecie a medina. Afinal, é um local inscrito desde 1985 na lista de Património Mundial da Humanidade da UNESCO.

Dia 3 – Roteiro Marrakech

MADRASSA BEN YOUSSEF

MADRASSA BEN YOUSSEF

Madraça Ben Youssef

Vamos passar a manhã a visitar alguns locais bem no centro da medina, começando pela Madraça Ben Youssef.

Esta escola religiosa foi construída no século XIV e é uma das maiores da África do Norte. Recebeu o nome do sultão Almorávida Ben Youssef  que reinou entre 1106 e 1142. Na segunda metade do século XVI a madraça foi reconstruída, ficando apta para receber novecentos estudantes, distribuídos por 132 quartos.

No século XIX tinha perdido influência para a sua grande rival, a madraça Bou Inania, de Fez, e nem novas obras de renovação conseguiram deter a sua decadência, tendo encerrado enquanto escola em 1960.

Hoje em dia está aberta ao público, todos os dias, e o bilhete custa 50 Dirham. É uma boa oportunidade para ver o que melhor Marrakech tem para oferecer em termos de arquitectura e artes ornamentais.

A madraça está associada à mesquita Ben Youssef, mas já se sabe, em Marrocos apenas os muçulmanos são autorizados a entrar nas mesquitas.

Museu de Marrakech

Mesmo junto à Madraça encontra-se o Museu de Marrakech, um museu de arte e história de Marrocos instalado no Palácio Mnebhi, antiga residência do Ministro da Defesa, Mehdi Mnebhi, durante o reinado do sultão Moulay Abdelaziz (1894-1980). Depois da independência de Marrocos o edifício foi nacionalizado e convertido numa escola de raparigas, a primeira em Marrakech, em 1965.

O museu abriu as portas em 1997, depois de uma profunda renovação do edifício, cuja arquitectura, tipicamente andaluz, é quase tão interessante como a exposição. O espólio é constituído por peças de arte marroquinas, livros históricos, moedas e cerâmica.

O bilhete custa 60 Dirham

Casa da Fotografia

Se sair da madraça e continuar até ao fim da rua, no sentido oposto ao da Praça Jamaa El Fnaaa, pode virar à direita e caminhar uns cento e cinquenta metros, para alcançar a Casa da Fotografia – Maison de la Photographie, do lado esquerdo da rua.

Há quem se lhe refira como Museu da Fotografia, mas o local é mais um centro de exposições de fotografia. Está alojada num edifício de vários andares, e aqui nunca faltam belas fotos para ver.

O projecto nasceu em 2009, criado pelo francês Patrick Manac’h e pelo marroquino Hamid Mergani.  O espólio da Casa da Fotografia foca-se em imagens históricas, contando com fotogramas desde 1870 até 1960.

No primeiro piso destacam-se as colecções de James Valentine e George Washington Wilson e de Gabriel Veyre, que trabalhou com os irmãos Lumière. No andar seguinte, encontramos chapas do início do século XX, resultantes de placas de vidro da autoria de René Bertrand. Vêem-se também aqui trabalhos de Marcelin Flandrin, Bernard Rouget e Garaud, que fotografaram entre 1930 e 1950. No último piso há um sortido de autores.

Há um terraço com excelente vista para a Serra do Atlas, onde se pode comer qualquer coisa e beber um chá.

O bilhete custa 40 Dirham.

Oficinas de Curtumes

Ao sair da Casa da Fotografia continue a andar, no sentido oposto ao que chegou. Depois de cruzar uma rua mais atarefada, vai continuar pela Avenue Bab El Debbagh. As oficinas de curtumes encontram-se no fim desta via, próximo da portão Bar Debbagh.

Estas oficinas poderão não ser tão famosas como as que existem em Fez, mas também aqui se assiste ao espectáculo do tingimento das pelas. Algo que é tão pitoresco como mal cheiroso, uma visita não aconselhável para quem tenha o estômago fraco.

A melhor altura para visitar o local é de manhã, quando os trabalhadores estão envolvidos nas operações de tingimento. Existem diversas oficinas deste género e ao percorrer a rua o visitante receberá muitas propostas para as visitar. Mas a ideia deles é levá-lo a um ponto de observação de onde se tem uma vista geral das oficinas, só que estes pontos são dentro de lojas de couros e certamente tentarão vender-lhe qualquer coisa.

Se quiser pode tentar visitar o recinto ao nível das tinas onde os trabalhos decorrem. A mais famosa é a Dar Dbagh. Pergunte a um dos operários se pode visitar, ele mostrará o local, teoricamente de forma gratuita, mas no fim pedirá uma gratificação, sugerindo 100 Dirham como um valor justo. Não dê mais do que 20 Dirham.

Os Mercados

Regresse ao centro da medina, à grande Praça, coma por lá qualquer coisa, aprecie o local ciente de que é o seu último dia em Marrakech e depois parta à descoberta dos mercados (Souks).

Na realidade existem diversos souks espalhados pela medina de Marrakech, mas o principal e maior acede-se pela Praça Jamaa El Fnaa, localizando-se a norte dela. Procure o restaurante Terrasses de l’Alhambra e entre no souk El Bahja através de uma viela que ali se encontra, transitado depois para outros mercados que lhe estão contíguos. Tente iniciar a sua exploração destes souks por volta das quatro horas da tarde e deixe-se perder nos seus corredores.

Túmulos Saadianos

Se ainda tiver energia neste último dia, poderá ir até aos Túmulos Saadianos, localizados na zona sul da medina, pouco antes da mellah. Estas sepulturas datam da dinastia Saadiana, quando era sultão Ahmad Al Mansur (1578-1603).

O recinto onde se encontram os túmulos manteve-se na obscuridade até 1917, quando foi descoberto através de um estudo de fotografia aérea da cidade feito pelos franceses.

Os túmulos estavam integrados no palácio Badi, mesmo ao lado, que foi vandalizado e lentamente desmantelado após a tomada de Marrakech por Moulay Ismail. Contudo, o receio de devassar terrenos sagrados manteve os túmulos a salvo, tendo sido meramente selados nessa altura.

Existem dois mausoléus com vinte e quatro túmulos, incluindo o do próprio Ahmad Al Mansur.

O primeiro é mais recente mas é o mais belo dos dois. A ornamentação do espaço é impressionante com semelhanças com Alhambra  e justifica a visita. Para a construção dos túmulos foi trazido mármore de Itália e os trabalhos de estuque de madeira de cedro gravada são belíssimos.

O bilhete custa 10 Dirham.

Bag Agnaou

Se visitar os Túmulos Saadianos certifique-se de que dá uma vista de olhos ao Bab Agnaou, isto é, se ainda não o fez. Trata-se provavelmente do mais belo portão de entrada na cidade antiga, e fica mesmo ali ao lado.

Foi construído no século XII, em pedra originalmente de uma tonalidade azulada, mas que as areias do deserto foram gradualmente alterando para a actual cor, não muito diferente do avermelhado dominante em Marrakech.

Apesar de não ter sido nunca o principal portão da medina, era contudo a entrada do monarca, e por isso a ornamentação foi especialmente cuidada. A sua decoração estende-se em forma de concha, com motivos florais talhados na pedra.

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Boa viagem!