Não. Cidadãos de Portugal e do Brasil não precisam de visto para Marrocos em estadias turísticas até 90 dias (regra em vigor em 2026). O único requisito real é o passaporte com validade mínima de 6 meses à data de entrada. O Cartão de Cidadão e o RG não servem.
Recebemos esta pergunta quase todos os dias desde 2019, muitas vezes com variações criativas ("e se eu for de ferry?", "e o meu filho de 12 anos?"). Este guia junta as respostas todas — verificadas com a prática real de quem recebe viajantes no aeroporto de Marraquexe todas as semanas.
Requisitos de entrada em 2026
| Documento / requisito | Exigência |
|---|---|
| Visto | Não é necessário até 90 dias (PT e BR) |
| Passaporte | Obrigatório, validade mínima de 6 meses à entrada |
| Cartão de Cidadão / RG | Não aceites — Marrocos está fora do espaço Schengen |
| Bilhete de regresso | Pode ser pedido pela companhia aérea no check-in; raramente pela fronteira |
| Comprovativo de alojamento | Convém ter a morada da primeira noite à mão (pedem para o registo de entrada) |
| Vacinas | Nenhuma obrigatória vindo de Portugal ou do Brasil |
| Seguro de viagem | Não é exigido na fronteira, mas é obrigatório nas nossas viagens — e devia ser sempre |
A "ficha de entrada" e o carimbo
Nos principais aeroportos, o formulário de papel já praticamente desapareceu: o polícia de fronteira regista os dados no sistema e pergunta o motivo da viagem e a morada da primeira noite. Levem a morada do riad/hotel escrita (ou a nossa confirmação de reserva, se viajarem connosco). O carimbo de entrada traz um número de registo pessoal — esse número é-vos pedido em check-ins de hotéis; fotografem a página do carimbo no telemóvel e poupam tempo a semana inteira.
Nas chegadas por ferry (Tânger Med, vindo de Espanha) o controlo é feito muitas vezes ainda a bordo — procurem o balcão da polícia no barco assim que embarcarem, evitam a fila à chegada.
Alfândega: o que podem (e não podem) levar
- Dirhams: o dirham (MAD) é uma moeda fechada — oficialmente não se importa nem exporta acima de 2.000 MAD (≈€190). Na prática: cheguem com euros e levantem/troquem lá. Divisas acima do equivalente a 100.000 MAD (≈€9.500) têm de ser declaradas.
- Álcool: 1 litro de bebidas espirituosas ou 1 garrafa de vinho por adulto. Compra-se também nos supermercados Carrefour/Marjane das cidades grandes.
- Tabaco: 200 cigarros por adulto.
- Medicamentos: quantidade pessoal com receita (levem a receita, sobretudo para psicotrópicos e analgésicos fortes).
⚠ Drones: não levem. A importação de drones sem licença prévia é proibida em Marrocos. O cenário típico: o drone fica retido na alfândega à chegada, com papelada, e é (talvez) devolvido à saída. O processo de licença existe mas é inacessível a turistas em tempo útil. Câmara boa e um bom miradouro resolvem — o drone fica em casa.
Entrada por ferry: de Espanha para Marrocos
Quem combina a Andaluzia com Marrocos entra normalmente por Tânger Med (ferries de Algeciras, 1h30–2h de travessia) ou Tânger Ville (de Tarifa, ≈1h — a opção mais prática para chegar a pé ao centro de Tânger). As regras são exatamente as mesmas do avião: passaporte com 6 meses, sem visto até 90 dias. Duas particularidades práticas: nos ferries de Tarifa e Algeciras o controlo de passaportes marroquino faz-se muitas vezes a bordo — procurem o balcão da polícia mal embarquem e poupam uma hora de fila à chegada. E quem atravessa com carro próprio precisa dos documentos do veículo e da autorização de importação temporária, feita no porto sem custo: o carro fica associado ao vosso passaporte e tem de sair de Marrocos convosco.
Se ultrapassar os 90 dias
O overstay não é dramático, mas é chato: multa e explicações no controlo de saída e, em casos repetidos, complicações em entradas futuras. Se a estadia longa for planeada, a prorrogação pede-se na esquadra da cidade onde estão (Bureau des Étrangers), com comprovativo de alojamento e de meios — processo lento e de resultado incerto, razão pela qual a maioria prefere sair (Ceuta ou Espanha) e reentrar. Teletrabalhar uns meses como turista para uma empresa estrangeira é, na prática, tolerado; trabalhar para entidades marroquinas exige visto e autorização de trabalho a sério.
Para brasileiros
- A isenção de 90 dias vale com passaporte comum brasileiro; o RG não é documento de viagem para Marrocos.
- Não há exigência de visto de trânsito nas escalas europeias típicas (Lisboa, Paris, Madrid) desde que não saiam da zona internacional — mas se quiserem passear em Lisboa na escala, brasileiros entram em Portugal sem visto de turismo até 90 dias também.
- Não há voos diretos do Brasil para Marraquexe: as rotas habituais são via Lisboa (TAP) ou via Casablanca (Royal Air Maroc tem diretos de São Paulo em datas selecionadas), com 10–14 horas totais de viagem.
Para portugueses
- Passaporte, não Cartão de Cidadão — é o erro número 1 que vemos ao balcão do check-in em Lisboa e no Porto.
- Voos diretos: TAP, Ryanair e easyJet ligam Lisboa e Porto a Marraquexe (e Ryanair também a Fez, Tânger, Agadir e Essaouira) em 1h20–2h. Preços e truques no guia quanto custa viajar para Marrocos.
- Menores: além do passaporte próprio, menores que viajem sem os pais (ou só com um) devem levar autorização de saída de Portugal conforme as regras portuguesas — a fronteira marroquina raramente a pede, a portuguesa sim.
Checklist de documentos antes de partir
- Passaporte válido ≥6 meses (fotografem a página principal e guardem uma cópia na nuvem)
- Morada da primeira noite escrita ou impressa — é pedida no registo de entrada
- Seguro de viagem emitido (obrigatório nas nossas viagens; sensato em todas)
- Euros em espécie ou cartão multimoeda — o dirham só se compra em Marrocos
- Confirmações de reserva acessíveis offline (o roaming só acorda depois da fronteira)
- Brasileiros: PID se planeiam conduzir; menores desacompanhados com autorização dos pais
Dupla nacionalidade luso-marroquina (mais comum nos nossos grupos do que se imagina): a lei marroquina considera-vos cidadãos marroquinos — entram e saem de Marrocos com o documento marroquino, sem o limite dos 90 dias, e usam o passaporte português para o resto do percurso.
Perguntas frequentes
Posso entrar em Marrocos com o Cartão de Cidadão ou RG?
Não. Marrocos está fora do espaço Schengen e exige passaporte a portugueses e brasileiros. O Cartão de Cidadão português e o RG brasileiro não são aceites para a entrada no país.
O meu passaporte tem menos de 6 meses de validade. Posso viajar?
Não arrisquem. A regra prática exigida por companhias aéreas e recomendada pelas autoridades é passaporte válido por, pelo menos, 6 meses à data de entrada. Renovem antes de comprar os voos.
Preciso de vacinas para entrar em Marrocos?
Não há vacinas obrigatórias para quem chega de Portugal ou do Brasil. Recomenda-se ter as vacinas de rotina em dia (tétano, hepatite A/B). O certificado de febre amarela não é exigido a viajantes vindos do Brasil em voos comerciais normais.
Posso levar drone para Marrocos?
Não, sem licença prévia — e obtê-la é um processo longo que praticamente nenhum turista consegue. Drones são retidos na alfândega à chegada e devolvidos (na melhor das hipóteses) à saída, com burocracia. Deixem o drone em casa.
Quanto tempo posso ficar em Marrocos como turista?
90 dias por entrada, para portugueses e brasileiros. Prorrogações pedem-se na esquadra de polícia da cidade onde estão, mas o processo é burocrático — para estadias longas, muitos viajantes preferem sair do país e reentrar.
Com os documentos arrumados, os próximos passos são escolher a época certa e ler o nosso guia honesto de segurança. E se quiserem a viagem tratada de ponta a ponta, as viagens de grupo com partidas mensais incluem apoio da nossa equipa na documentação.