O Islamismo é a religião dominante em Marrocos. É a religião do Estado e a mais praticada no país.

Estima-se que corresponda a 98,7% da população marroquina – existirão cerca de 100 mil cristão em Marrocos e perto de 10 mil judeus.
O Islão é uma religião que transmite a tolerância, a generosidade e a solidariedade entre todos. Aliás, a palavra Islão tem uma raiz árabe na palavra “Saláma” que significa paz, pureza, submissão e obediência.
O rei de Marrocos é o Amir al Mouminine, ou seja, o Comandante dos Fiéis, sendo o responsável pela preservação das tradições religiosas.
O Islamismo rege-se pelo Alcorão, livro sagrado com textos que reflectem o que foi revelado ao profeta Maomé, através do anjo Gabriel. Alá é o Deus do Islão e Maomé foi o último dos mensageiros de Alá.
O Alcorão tem 30 partes (chamadas de Juz), 114 capítulos (Suratas) e 6342 versículos. A palavra Alcorão vem do verbo que significa declamar ou recitar, neste caso, recitar a mensagem de divina para toda a humanidade. Segundo reza a história, o Alcorão começou a ser revelado no ano 610 dC, quando o Profeta já tinha 40 anos.

As mesquitas são os locais onde os fiéis rezam – e onde é vedada a entrada a não muçulmanos. Cinco vezes ao dia ouvirá os chamamentos e é quando se dirigem para as mesquitas para as orações. Mas não é obrigatório para os muçulmanos orarem nas mesquita, pode orar em qualquer sítio, desde que o mesmo não esteja conspurcado.
São cinco os pilares do Islão e também são pontos são incontornáveis na religião de Marrocos. A fé, a oração, a caridade, o jejum do Ramadão e a peregrinação a Meca, são estes os cinco pontos principais do Islamismo.
A Fé assume que “Não há nenhum Deus senão Alá e Maomé é o seu Profeta”. A Oração é feita cinco vezes ao dia e é a ligação entre o fiel e Deus. A primeira oração é na alvorada, a segunda ao meio-dia, a terceira ao meio da tarde, a quarta ao pôr-do-sol e a quinta, e última, durante a noite.

A caridade é outros dos pilares do Islão. A palavra “Zacát” revela a quantidade de géneros e dinheiro que um muçulmano oferece a quem mais precisa. Em termos de percentagem é cerca de 2,5% do que ganha um fiel, depois de retirar o que gasta com a sua família e em impostos.
Outros dos pilares é o jejum do Ramadão, que é abstinência de comer, beber, fumar e ter relações sexuais, realiza-se no nono mês do calendário islâmico – durante todo o mês – e entre as horas antes da alvorada até ao pôr-do-sol. O fim do jejum do Ramadão chama-se Aid el Fitr.
Ainda o quinto pilar é a peregrinação a Meca. A peregrinação deve ser feira no último mês do calendário islâmico e é obrigatória pelo menos uma vez na vida. Não é permitido contrair dívida para esta viagem, ou seja, o muçulmano tem de ter dinheiro para os gastos da viagem. A ida a Meca é a confirmação da dedicação dos fiéis e representa a fraternidade e igualdade entre os muçulmanos.

O rei Mohammed VI criou um programa de formação de predicadoras, treinadas como imãs, que têm como objectivo enquadrar mulheres nas fábricas, na Internet e na televisão.
Também apelidadas de Mourchidates, as mulheres contribuem para aumentar a tolerância e igualdade entre sexos.
Apesar de o Islamismo ser a religião oficial de Marrocos, os estrangeiros que lá vivem pode praticar livremente as suas religiões. Principalmente nas grandes cidades marroquinas poderá encontrar locais de culto de outras religiões. Há ainda uma comunidade de judeus marroquinos.
O que é o Ramadão – Momento mais importante de Marrocos
O Ramadão corresponde ao nono mês e durante o qual os muçulmanos fazem o ritual do jejum, que é o quarto dos cinco pilares do Islão.

O Ramadão é um dos momentos mais importantes de Marrocos.
Basicamente, pode dizer-se que é a altura do ano mais importante do calendário islâmico.
Por o calendário islâmico ser lunar a data do Ramadão não é sempre a mesma. Pode ser em qualquer altura do ano – em que calhar o nono mês – mas a sua duração é sempre de 29 a 30 dias.
Os cinco pilares do Islão são: observar as obrigações do Ramadão (Saum); fazer a peregrinação a Meca (Hajj); pagar dádivas rituais para ajudarem os mais pobres (Zakat); orar cinco vezes ao dia (Salá); e professar a fé (Chahada).
No Salá, as cinco orações devem ser realizadas diariamente: na alvorada, depois do meio-dia, entre o meio-dia e pôr-do-sol, logo após o pôr-do-sol; e cerca de uma hora após o pôr-do-sol.
Durante o Ramadão, faz-se o jejum de dia e a celebração da purificação à noite.
O nono mês foi escolhido porque foi nesse mês que foi revelado o Alcorão – o livro sagrado do Islão.
Para seguir a tradição do jejum do Ramadão, a maioria dos restaurantes fecha para almoço – excepto nos locais mais turísticos, que continuam abertos para receber os visitantes – mas comer e beber em público (assim como fumar) pode ser considerada má educação.
Tente envolver-se na cultura do país que visita e respeite as suas tradições.
O jejum é obrigatório para todos os muçulmanos que chegam à puberdade. É também uma forma de marcar a entrada na vida adulta.
Não jejuam as pessoas doentes, grávidas, em fase de aleitamento ou idosos.
O jejum é anulado se comer, beber ou tiver relações sexuais. Se isso acontecer, terá de fazer o jejum posteriormente durante 60 dias.

Em vez de ficar a pensar no comer e beber, o crente concentra-se em orações a Deus, com várias idas à mesquita.
É que além das cinco orações diárias acrescenta-se durante o mês do Ramadão a oração nocturna.
O jejum é a prática da disciplina e da doutrina. Deve ser-se generoso e afastar maus pensamentos e maus actos.
Durante a altura do Ramadão aumenta também a leitura diária do Alcorão.
Mas o jejum não é durante todo o dia. Durante a madrugada, há o su-hoor, que é uma pequena refeição com alimentos que permitem realizar o jejum.
No final de cada dia, no crepúsculo, os muçulmanos quebram o jejum, para reunirem família e amigos numa celebração que inclui a saída para a oração na mesquita.
A celebração Laylat al Kadr é celebrado na noite do dia 26 para o dia 27 do Ramadão, data que marca a noite em que o Profeta Muhammad (Maomé) recebeu a primeira revelação do Alcorão.
O Eid el Fitr é o chamado “banquete do término do jejum” e acontece quando é avistada a lua nova. Significa o fim do mês de Ramadão e o início do mês Shawwal. Nessa altura é distribuída comida para os mais pobres.
O que é o Eid al-Fitr? O fim do jejum do Ramadão
O Aid ou Eid al-Fitr é a celebração que marca o fim do jejum do Ramadão uma das mais importantes datas para os muçulmanos.

O Ramadão é o nono mês do calendário islâmico, e é nessa altura que é feito o ritual do jejum – este é um dos cinco pilares do Islão, que inclui observar as obrigações do Ramadão.
Curiosidade: o Ramadão é feito no nono mês porque segundo a religião foi nesse mês que foi revelado o Alcorão, que é o livro sagrado do Islão.
O jejum, obrigatório para todos os muçulmanos, é anulado se beber, fumar, comer ou tiver relações sexuais, antes do nascer do dia até ao anoitecer. E durante o mês do Ramadão é acrescentada, às cinco orações diárias, uma sexta, que é nocturna.
Mas, os muçulmanos nunca ficam totalmente sem comer. Podem comer e beber de madrugada, antes de nascer o sol, e ao final do dia, no crepúsculo. Quando acaba o mês de jejum é feita esta celebração.
Vídeo com reza do Eid al-Fitr
O Eid al-Fitr ou Aid marca o finalizar do jejum e realiza-se quando é vista a lua nova e quando começa o décimo mês do calendário islâmico, o Shawwal. O nome Eid al-Fitr significa literalmente “celebração do fim do jejum”.
Conta a história que o primeiro Eid al-Fitr terá sido assinalado e celebrado em 624, pelo profeta Maomé e seus familiares, como forma de celebração pela vitória na Batalha de Badr.
Actualmente é uma festa. Vestem-se as melhores roupas, e no final do Ramadão, o Eid al-Fitr é celebrado com uma oração a meio da manhã, que poderá ser realizada ao ar livre, em espaços amplos, para receberem todos os muçulmanos.
Antes desta oração é recitado o Takbir – nome que, em árabe, significa Allahu Akbar, ou seja, “Deus é grande” – que refere a grandeza de Deus. Depois desta oração é feito um sermão, chamado de khutba, e uma nova oração de pedido de perdão para os muçulmanos espalhados pelo mundo.

A celebração do Eid al-Fitr inclui também a organização de um almoço e, porque é o primeiro depois do início do jejum de um mês, é sempre uma festa e com uma refeição muito rica – e muita comida é distribuída pelos mais desfavorecidos. A reunião familiar, à mesa, pode ser feita em casas de familiares e as crianças podem inclusive receber prendas.
Esta celebração pode assumir várias formas mas é quase sempre uma festa. Muitos muçulmanos aproveitam esta altura do ano para visitarem os familiares e com eles celebrarem o final do Ramadão.
As famílias saem à rua, com gente de todas as idades, que aproveitam para conviver e até divertir-se com passeios por espaços verdes, parques de diversões, praias e outros locais ao ar livre.
Porque é que as lojas em Marrocos fecham à Sexta-feira?
Sexta-feira é o dia sagrado muçulmano e as lojas devem fechar por volta do meio-dia.
Um facto que não é comummente conhecido – é que os muçulmanos não precisam de rezar mas mesquitas, podendo fazer as suas orações diárias em qualquer lugar (casa, escritório ou mesmo ao ar livre), mas sempre em direcção a Meca.
No entanto, na oração do meio-dia de Sexta-feira, os muçulmanos precisam de ir à mesquita, e essa é a única vez em que não devem trabalhar. O resto da semana (e o resto da Sexta-feira) devem estar a trabalhar ou a fazer algo de útil.
O Islão diz que Deus não gosta de tempo perdido, na verdade Ele valoriza tanto o tempo, que existe no Alcorão um capítulo chamado “O Tempo” (Surah Al-Asr). Então, nenhum muçulmano (ou qualquer homem ou mulher na Terra) deveria estar sem fazer nada e a perder tempo.
Assim, a Sexta-feira é um dia muito importante para os muçulmanos. É mais significativo e mais benéfico do que qualquer outro dia da semana. É o dia em que os muçulmanos se reúnem para rezar em congregação.
Antes da oração, eles ouvem uma palestra dada pelo Imam para capacitá-los e ensinar-lhes conhecimento sobre Deus e sobre a religião. É um dia abençoado que foi designado como tal por Deus; nenhum outro dia da semana compartilha as mesmas virtudes.

Em muitos países predominantemente muçulmanos, a Sexta-feira é um feriado semanal, às vezes combinado com Quinta ou Sábado. No entanto, não há o encerrar obrigatório de negócios.
O profeta Maomé disse aos seus seguidores que “As cinco orações diárias, e a oração da Sexta-feira, servem de limpeza para quaisquer pecados que tenham sido cometidos, desde que não se cometa nenhum pecado grave.”
É importante que um muçulmano não negligencie a oração de Sexta-feira devido a trabalho, estudo ou outros assuntos mundanos. Os crentes devem considerar esta oração uma prioridade uma vez que ignorá-la três vezes seguidas, sem nenhuma razão válida, fará com que o crente se desvie do caminho da religião.
O melhor dia em que o Sol nasce é à Sexta-feira. É o dia em que Adão foi criado. É o dia em que Adão entrou nos Jardins Celestiais, o dia em que foi expulso e também o dia em que morreu. Sexta-feira é ainda o dia em que o Dia da Ressurreição será realizado.
E é assim, entendendo um pouco mais sobre a religião em Marrocos, acabamos por entender porque razão, à Sexta-feira, muitos negócios estão fechados e o porquê muita gente não trabalhar neste dia.