Visitar Marraquexe Marrocos

Dia 1 em Marraquexe

A primeira coisa a fazer pela manhã será visitar os Jardim Majorelle. É um lugar que se dá bem com a frescura matinal e, por outro lado, aprecia-se melhor quando existem menos visitantes. Abre às 8:00 e se conseguir levantar-se cedo ficará a ganhar. Tome o pequeno-almoço e parta à descoberta de Marrakech!

Jardins Majorelle

O Jardins Majorelle fica a cerca de 500 metros da medina, por detrás da estação principal de autocarros. Poderia tomar um táxi, mas não é mesmo necessário. É um passeio que se faz bem, especialmente às primeiras horas do dia.

Chegado ao local, poderá decidir se pretende visitar apenas o museu ou se quer também espreitar o Museu Berbere. O bilhete simples custa 70 Dirham, mas para aceder à exposição museológica terá que pagar mais 30 Dirham.

O Jardim foi criado por Jacques Majorelle (1886-1962), um artista francês que ali viveu, na casa cubista desenhada pelo arquitecto Paul Sinoir nos anos 30 do século passado. Em 1980 Yves Saint-Laurent (quando faleceu, Yves pediu que as suas cinzas fossem espalhadas no seu Jardim Majorelle) e Pierre Bergé adquiriram a propriedade aos herdeiros, restauraram-na e abriram-na ao público.

Trata-se de um espaço encantador, com uma colecção admirável de cactos, plantas exóticas e árvores, magistralmente agrupados, criando um conjunto pleno de harmonia. Não lhe faltam as incontornáveis palmeiras e há um lago com nenúfares e uma pequena floresta de bambu. Uma fonte e um canal de água preenchem o jardim com o som do líquido que corre, sublinhando a serenidade do local. Poderá depois passar ao museu, instalado no rés-do-chão da casa, incorporando mais de seiscentos artefactos relacionados com a cultura berbere.

  • Dos Jardins Majorelle vamos seguir para a mesquita Koutobia. A pé ainda são uns 2 km. É consigo se arrisca pôr-se ao caminho ou se prefere apanhar um “petit taxi”.

Ciber Park

Se optar por seguir pelos seus próprios meios pode dar um salto ao Cyber Park, que fica a meio do trajecto. Apesar do seu nome modernista, as origens deste parque remontam ao século XVIII, quando foi construído pelo príncipe Moulay Abdessalam, um notável poeta, escritor, académico e diplomata.

Em 1920, sob a administração francesa, o parque foi ampliado, mas nas décadas que se seguiram foi negligenciado. Em 2005 foi requalificado e equipado com quiosques que oferecem acesso à Internet e junto à entrada existe um Museu de Telecomunicações, pequeno mas gratuito, que cobre a história das telecomunicações em Marrocos desde que o primeiro telefone foi instalado em Tânger em 1883.

Mesquita Koutobia

A Koutobia é a maior mesquita de Marrakech, tendo sido inicialmente construída em meados do século XII no local onde já antes existia um templo do século anterior, ainda hoje é a estrutura mais alta da cidade, com o seu minarete a elevar-se até aos 77 metros. Este é de resto o detalhe mais relevante da mesquita, tendo influenciado inúmeros outros minaretes através do país, estabelecendo um padrão baseado na colocação de mosaicos no segmento superior, na existência de ameias pontiagudas no topo, nos padrões decorativos irregulares.

Infelizmente em Marrocos apenas muçulmanos são admitidos no interior das mesquitas, pelo que se não for o nosso caso teremos que apreciar a Koutobia do seu exterior.

Se gostou, tome nota mental: dar uma vista de olhos depois do sol posto, quando a mesquita é iluminada de forma magnífica.

Hotel La Mamounia

Mesmo por detrás da Koutobia há um jardim público, o Parc Lalla Hasna,  de onde se tem o melhor ângulo para fotografar o elegante minarete e a mesquita. Logo a seguir, do outro lado da Avenue Hommane Al Fatouaki, há um longo muro pintado num tom alaranjado que protege o Hotel La Mamounia. A sua diária, a rondar os 400 Euros, não é para todos, mas é possível vir até aqui espreitar o hotel histórico com mais pergaminhos de Marrakech.

Abriu em 1923 e desde então albergou personalidades famosas, como Nelson Mandela, o casal Clinton, os Rolling Stones, Charlie Chaplin, George Orwell, Omar Sharif, Charlton Heston, Sean Connery, Catherine Deneuve, Sharon Stone, Sylvester Stallone, Will Smith, Sarah Jessica Parker, Tom Cruise e Nicole Kidman e o casal Reagan.

Em 1943, em plena Segunda Guerra Mundial, ficaram aqui alojados os principais dirigentes mundiais da altura: o presidente dos Estados Unidos da América, Franklin Roosevelt, o general De Gaulle, cuja altura extraordinária obrigou a gerência do hotel a encomendar uma cama especial e o Primeiro-Ministro da Grã-Bretanha, Winston Churchill.

De toda estas individualidade, a que estabeleceu laços mais fortes com Marrakech e com o La Mamounia foi o dirigente britânico, que veio a primeira vez em 1935 e até ao seu falecimento, em 1965, regressou vezes sem conta, pintando aqui algumas das suas telas. Especial destaque para uma pintura retratando a medina e a mesquita Koutobia, que ofereceu ao seu amigo Roosevelt. Este terá sido provavelmente o único quadro criado por Churchill durante a guerra e foi recentemente avaliado em 3 milhões de Dólares.

Se gosta de visitar cemitérios, mesmo por detrás do hotel, agregado a um hospital, encontra o Cimetiere Imam Souhaili. Não tem nada de extraordinário mas dá para ficar com uma ideia do que é um cemitério muçulmano e como se distingue dos equivalentes espaços cristãos.

Praça Jamaa el Fna

Está na altura de travar conhecimento com a famosa praça Jamaa el Fna, o centro da medina e de Marrakech. A praça é um mundo, transbordando energia e animação quase vinte e quatro horas por dia. Era ali que em meados do século XI, quando Marrakech foi fundada, se executavam os condenados à morte.

Actualmente tudo se passa aqui. Pela manhã começam a chegar os artistas de rua que trazem a vida à praça: há encantadores de serpentes, contadores de histórias, domesticadores de macacos. Mulheres fazem tatuagens de henna, organizam-se combates de boxe improvisados, há dançarinos transvestidos e malabaristas. Músicos extraem notas de instrumentos exóticos e homens com trajes tradicionais vendem simbolicamente água, mas o que de facto comercializam são fotografias de turistas por eles abraçados.

A praça está rodeada de restaurantes e cafés e lojas diversas que têm nos turistas o seu público alvo. Poderá escolher um estabelecimento aqui em redor para almoçar, descontraidamente, enquanto observa o movimento incessante de gente. Alguns têm terraços com excelentes vistas para a praça.

Depois de se deliciar com a comida de Marrocos, quem sabe uma tagine de galinha ou de vegetais, um cuscuz ou uma pastilla, peça um chá de menta, e quando tiver terminado saia para a praça e demore todo o tempo do mundo a absorver o ambiente.

Não há como não ficar fascinado com a infinidade de espectáculos que decorrem em simultâneo, mas não deve baixar as defesas, pois a actividade de carteiristas aqui e, já agora, nas ruas da medina que rodeiam a praça, é bastante intensa. Por outro lado a presença de elementos da polícia de turismo costuma ser elevada e se surgirem problemas terá a quem recorrer.

Poderá talvez recolher-se por um pouco ao seu hotel, retemperar forças, tomar um duche e preparar-se para o final de tarde na Praça Jamaa el Fnaa. A partir das seis horas o espaço começa a encher-se e entre as nove e as dez atinge um pico de gente. São as pessoas que vêm jantar.

Quando o sol se põe a luz na praça torna-se fantástica. Por essa hora já estão montados os restaurantes que diariamente se erguem no que antes era um pavimento nu. Há fileiras de tendas improvisadas, com vastas áreas de mesas preparadas para os clientes que vêm jantar.

O comércio da noite agrupa-se tematicamente. Existe uma fileira de pavilhões que vendem uma combinação únicas de produtos: chá de ginseng, com uma combinação secreta de especiarias que o torna uma poção única, e pedaços de um bolo castanho muito escuro, feito de sésamo e amêndoas.

Quanto a refeições completas, existem autênticos restaurantes móveis, também, concentrados num determinado sector, e só terá que seguir os seus instintos e escolher um da sua preferência.

Se depois do jantar lhe apetecer poderá tomar um copo de sumo de laranja espremido à sua frente. Existem dezenas de pavilhões vendendo estes sumos.

Ao caminhar para o seu alojamento poderá ter a certeza de que voltará à Praça Jamaa el Fna, uma e outra vez, durante os dias que passar nesta cidade.

Roteiro de 3 dias em Marraquexe

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