A bandeira de Marrocos é vermelha com uma estrela verde de cinco pontas ao centro — o Selo de Salomão. Foi adotada a 17 de novembro de 1915, no reinado do sultão Youssef, e manteve-se igual após a independência em 1956: o vermelho representa a dinastia alauita e a estrela, os cinco pilares do Islão.
Em Marrocos, a bandeira está em todo o lado: nos telhados das kasbahs, nos barcos de pesca, nas praças de cada aldeia. Ao fim de vinte anos a viver cá, ainda me impressiona o efeito daquele vermelho total contra o céu — poucas bandeiras no mundo são tão simples e tão reconhecíveis.
O que significa a bandeira de Marrocos?
- O vermelho simboliza a descendência da família real do profeta Maomé — é a cor histórica da dinastia alauita, a atual casa real marroquina, que governa desde o século XVII, quando Moulay Al-Rashid, filho do xerife Sharif ibn Ali de Tafilalet, unificou o país.
- A estrela verde de cinco pontas (pentagrama) é conhecida como Selo de Salomão e representa os cinco pilares do Islão — fé, oração, caridade, jejum e peregrinação — e o elo entre Deus e a nação.
- O verde é a cor associada aos descendentes do Profeta, usada historicamente pelas irmandades sufis.
Curiosamente, muitos marroquinos conhecem mal esta simbologia — a bandeira é tão omnipresente que quase ninguém pergunta porquê. Se quiser perceber melhor o papel da fé no país, escrevemos um guia completo sobre a religião em Marrocos.
Porque foi acrescentada a estrela em 1915?
Até ao início do século XX, a bandeira de Marrocos era um pano totalmente vermelho — o estandarte alauita. Com o país sob protetorado francês e espanhol a partir de 1912, tornou-se necessário distinguir a bandeira marroquina de outros pavilhões vermelhos usados na navegação. A estrela verde foi acrescentada e oficializada a 17 de novembro de 1915 pelo sultão Youssef ben Hassan. Quando Marrocos recuperou a independência de França e Espanha, em 1956, manteve o desenho — que celebrou um século em 2015 e continua intacto.
As bandeiras das dinastias marroquinas
Antes da atual, cada grande dinastia teve os seus estandartes — brancos e vermelhos na maioria, com desenhos próprios que aparecem nas crónicas e na iconografia histórica:
- Idríssidas (séculos VIII–X) — a dinastia fundadora, que ergueu Fez;
- Almorávidas e Almóadas (séculos XI–XIII) — os impérios que uniram o Magrebe e a Península Ibérica; os almóadas usavam um estandarte vermelho com quadrado axadrezado ao centro;
- Merínidas e Saaditas (séculos XIII–XVII) — período em que o vermelho se consolida como cor do poder em Marrocos;
- Alauitas (século XVII até hoje) — o vermelho liso, ao qual se juntou a estrela verde em 1915.
Durante o protetorado (1912–1956), a bandeira conheceu variantes regionais: nas zonas sob administração espanhola e na cidade internacional de Tânger usaram-se versões com cantões e emblemas próprios — recordações de um país então repartido, que contamos também na história das medinas marroquinas.
As outras bandeiras oficiais de Marrocos
Como em muitos países, há versões distintas para usos específicos: a bandeira marítima civil, os pavilhões da marinha real e a bandeira real com o escudo de armas — todas variações sobre o mesmo vermelho e a mesma estrela. No dia a dia, e nas festas nacionais como a Festa do Trono, é a bandeira nacional simples que cobre o país de vermelho.
O brasão de armas de Marrocos
O brasão real foi introduzido a 14 de agosto de 1957, logo após a independência, desenhado pelos artistas gráficos Hainaut e Gauthier. Reúne num só escudo os símbolos do reino: o pentagrama verde sobre fundo vermelho, a cordilheira do Atlas, um sol nascente dourado e a coroa real — ladeados por dois leões do Atlas, o animal mítico do imaginário marroquino. Na base, uma faixa com um versículo do Alcorão (surata 47, versículo 7): «Se acudires a Deus, Ele acudir-te-á.»
O hino nacional marroquino
O Hino Xarifiano (Hymne Chérifien) já era usado antes da independência de 1956. A música é de Léo Morgan; a letra em árabe, de Ali Squalli Houssaini, foi escrita em 1970. Termina com o lema nacional que vai encontrar gravado em edifícios por todo o país — «Alá, a Pátria e o Rei» (Allah, al-Watan, al-Malik). Ouvi-lo cantado num estádio cheio é dos momentos mais arrepiantes que Marrocos oferece.
Perguntas frequentes
O que significa a estrela verde da bandeira de Marrocos?
É o Selo de Salomão: um pentagrama que representa os cinco pilares do Islão e o elo entre Deus e a nação. O verde é a cor associada aos descendentes do profeta Maomé.
Porque é vermelha a bandeira marroquina?
O vermelho é a cor da dinastia alauita, no trono desde o século XVII, e simboliza a descendência da família real do Profeta. Até 1915, a bandeira era um pano totalmente vermelho.
Desde quando existe a bandeira atual?
Desde 17 de novembro de 1915, no reinado do sultão Youssef. Manteve-se sem alterações após a independência de 1956 — já ultrapassou um século de uso contínuo.
Posso fotografar ou comprar bandeiras na viagem?
Sim — há bandeiras à venda nos souks e vê-las-á por todo o lado, sobretudo nas festas nacionais. Apenas uma nota de bom senso: trate a bandeira e as imagens do rei com respeito, porque os símbolos do Estado são levados muito a sério em Marrocos.
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