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Kasbah de adobe em Ouarzazate, testemunho da arquitetura histórica do sul de Marrocos

História de Marrocos

Três mil anos em cronologia limpa: berberes, sete dinastias, 354 anos de portugueses na costa — e o reino que chegou a 2026 com o trono mais antigo do mundo árabe.

Atualizado em julho de 2026 · verificado pela nossa equipa em Marraquexe

A história de Marrocos resume-se em cinco atos: os berberes chegam há cerca de 3.000 anos; o Islão e o árabe entram em 685 d.C.; sete dinastias constroem o reino a partir de 788; Portugal ocupa a costa entre 1415 e 1769; e, após o protetorado franco-espanhol (1912–1956), Marrocos é hoje uma monarquia com a dinastia alauita no trono desde o século XVII.

Marrocos não se visita bem sem esta cronologia na cabeça: cada medina, kasbah e muralha que vai ver tem um capítulo aqui. E para leitores portugueses há um bónus — poucas histórias nacionais se cruzam tanto com a nossa.

Cronologia essencial de Marrocos

  • ≈1000 a.C. — Os berberes já habitam o território; fenícios e cartagineses fundam feitorias na costa.
  • Séc. I–IV — Roma domina o norte (Mauretania Tingitana); as ruínas de Volubilis, perto de Meknès, são o grande vestígio.
  • 685 — Exércitos árabes introduzem o Islão e a língua árabe no norte de África.
  • 711 — Do território marroquino parte a invasão muçulmana da Península Ibérica.
  • 788 — Berberes e árabes unificam-se num estado independente: a dinastia Idríssida, que faz de Fez capital.
  • Séc. XI — Os Almorávidas, vindos do deserto, constroem um império do Senegal a Espanha e fundam Marraquexe (1062).
  • Séc. XII–XV — Sucedem-se Almóadas (o apogeu — a Koutoubia e a Giralda de Sevilha são irmãs), Merínidas e Oatácidas.
  • 1415–1769 — Presença portuguesa na costa (ver capítulo abaixo).
  • 1578 — Batalha de Alcácer Quibir: os Saadianos derrotam a cruzada de D. Sebastião, que desaparece em combate — e Portugal acaba na União Ibérica.
  • 1660s — Entra no poder a dinastia Alauita, fundada por Moulay Ali Cherif, sultão do Tafilalt em 1631 — é a casa real que ainda hoje reina.
  • 1912 — Tratado de Fez: Marrocos torna-se protetorado francês, com zonas espanholas no norte e no sul.
  • 1921–1926 — Abd el-Krim lidera no Rif a revolta contra a presença europeia.
  • 1956 — Independência total, exceto Ceuta e Melilla. O sultão Sidi Mohammed torna-se o rei Mohammed V; em 1957 o país assume-se como reino.
  • 1961 — Sobe ao trono Hassan II, que reinará 38 anos.
  • 1975 — Marcha Verde: 350 mil civis marroquinos entram no Saara Espanhol para forçar a retirada de Espanha — a questão do Saara Ocidental continua em aberto na ONU até hoje.
  • 1999 — Morre Hassan II; o filho torna-se Mohammed VI, o rei atual.
  • 2011 — Nova constituição, aprovada em referendo na sequência da Primavera Árabe, reforça parlamento e governo.
  • 2023 — Um violento sismo atinge a região de Al Haouz, a sul de Marraquexe; a reconstrução das aldeias do Atlas ainda decorre.
  • 2030 — Marrocos co-organizará o Campeonato do Mundo de futebol com Portugal e Espanha — a primeira co-organização entre a Europa e África.

As sete dinastias, por ordem: Idríssidas, Almorávidas, Almóadas, Merínidas, Oatácidas, Saadianos e Alauitas.

O que fizeram os portugueses em Marrocos?

Portugal ocupou militarmente praças da costa marroquina durante 354 anos — de 1415 a 1769 —, um período de guerra quase constante, porque a presença nunca foi aceite pelos marroquinos.

  • 1415 — D. João I conquista Ceuta com cerca de 200 navios e 19.000 soldados: é o pontapé de saída da expansão portuguesa.
  • 1437 — Desastre de Tânger: para reembarcar, os portugueses prometem devolver Ceuta e deixam o infante D. Fernando como refém. A promessa não se cumpre e o "Infante Santo" morre cativo em Fez.
  • 1458–1471 — Conquistas de Alcácer Ceguer e Arzila; Tânger é finalmente ocupada quando os habitantes a abandonam.
  • Séc. XVI — Portugal instala-se em Azamor, Mazagão (El Jadida), Safi, Aguz, Mogador (Essaouira) e Santa Cruz do Cabo de Gué (Agadir). É o auge — e o início do fim: derrotas e custos levam a abandonos sucessivos a partir de 1541.
  • 1578 — Alcácer Quibir: a "batalha dos três reis" custa a vida a D. Sebastião e à flor da nobreza portuguesa.
  • 1769 — Abandono de Mazagão, a última praça. Cinco anos depois, Portugal e Marrocos assinam um tratado de paz — e nunca mais houve hostilidades entre os dois países.

O historiador Oliveira Martins chamou a estas praças "escola de soldados". Hoje são escola de viajantes: a cisterna portuguesa de El Jadida (Património Mundial), as muralhas de Essaouira e a fortaleza de Asilah visitam-se com bandeiras das quinas ainda esculpidas na pedra — roteiro que sugerimos no guia de Essaouira e de Asilah.

Onde se toca a história em Marrocos?

  • Volubilis — a cidade romana mais bem preservada do país, com mosaicos ao ar livre.
  • Fez — a medina medieval intacta e a universidade Al-Qarawiyyin (859), a mais antiga do mundo em funcionamento — o nosso guia de Fez explica como visitá-la.
  • Marraquexe — os túmulos Saadianos, a Koutoubia almóada e o palácio Bahia num raio de vinte minutos a pé.
  • Ait Benhaddou e os ksares do sul — a arquitetura de terra das rotas das caravanas, perto de Ouarzazate.
  • Rabat — da torre Hassan inacabada (séc. XII) ao mausoléu de Mohammed V, a capital resume nove séculos num passeio.

Perguntas frequentes

Quais foram as dinastias de Marrocos?

Sete grandes dinastias: Idríssidas, Almorávidas, Almóadas, Merínidas, Oatácidas, Saadianos e a Casa de Alaoui (Alauitas), que reina desde o século XVII até hoje — Mohammed VI é o atual rei.

Portugal ocupou mesmo parte de Marrocos?

Sim — durante 354 anos, de 1415 (conquista de Ceuta) a 1769 (abandono de Mazagão, hoje El Jadida). Portugal controlou praças costeiras como Arzila, Tânger, Safi, Azamor, Mogador e Mazagão. Foi também em Marrocos que se travou a batalha de Alcácer Quibir (1578), onde desapareceu o rei D. Sebastião.

Quando é que Marrocos ficou independente?

Em 1956, do protetorado francês (e espanhol nas zonas norte e sul). O sultão Sidi Mohammed tornou-se o rei Mohammed V, avô do atual monarca. Ceuta e Melilla permanecem sob administração espanhola até hoje.

Que vestígios históricos posso visitar em Marrocos?

As ruínas romanas de Volubilis, as medinas medievais de Fez e Marraquexe, as fortalezas portuguesas de El Jadida e Essaouira, os ksares do sul como Ait Benhaddou e os palácios e madraças das várias dinastias — boa parte é Património Mundial da UNESCO.

Para continuar a viagem no tempo: a cultura marroquina · o rei de Marrocos · os locais UNESCO de Marrocos · o que é uma kasbah · a bandeira de Marrocos.

João Leitão

Fundador da Marrocos.com® · Vivo em Marrocos desde 2006 · +145 países visitados · Autor de joaoleitao.com

A história de Marrocos, contada no local

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